Écompreensível que a maioria da população esteja indignada com os políticos e disposta a não votar nas próximas eleições. Afinal, a ladroíce divulgada e os péssimos serviços de segurança, saúde, educação, etc, ultrapassaram todos os limites.
Se o cidadão não votar, no entanto, o que está ruim ficará pior: pagará multa, continuará privado dos serviços públicos essenciais e não poderá reclamar do roubo ou do mau uso do seu dinheiro – referente a cinco meses de trabalho por ano, recolhido por meio de impostos – porque decidiu não escolher quem o gerencia. Mesmo que não vote, continuará o seu dinheiro recolhido compulsoriamente, e o político, ainda mais descomprometido para fazer o que quiser (do seu dinheiro).
A ditadura ‘moralizaria’ o Brasil? “Conheça dez histórias de corrupção durante a ditadura militar” (noticias.uol.com.br/…/conheca-dez-historias-de-corrupcao-durante-a-ditadura), com o agravante da censura.
O que garante o retorno dos tantos impostos é votar bem e acompanhar os eleitos – direitos conquistados a custo da vida de muitos. A eficiência e o decoro que se esperam dos políticos, como dos demais aspectos da vida, jamais resultarão do omitir-se – aqui entendido como abster-se ou anular o voto, mas da ação, isto é, do votar:
1) Nos interesses coletivos: educação, saúde, segurança, infraestrutura, etc.. O voto que barganha interesses individuais é o próprio corrupto, por fazer do pleito um balcão de negócios onde se vendem, trocam e compram votos com dinheiro público – como ensinam Mensalão, Petrolão e outros “ãos” ou variantes – e prejudica os interesses coletivos, principalmente, daqueles que vendem o voto;
2) No candidato preparado (a complexidade do setor público não comporta amadorismo), comprometido com a coletividade (quem nunca foi, jamais o será depois de eleito), com vida pregressa ilibada (ninguém se torna bandido depois de eleito, já o era antes disso – apenas viu, na “politicalha”, novos horizontes para ampliar o banditismo) e com projetos consistentes e coerentes (legalidade, diagnóstico, meta, método, recurso, prazo, etc.), em vez de votar no candidato porque é amigo, conhecido ou pela aparência (discurso fácil, beleza etc.).
Como acompanhar o eleito? Se do poder executivo, por meio do Portal de Transparência, da Lei do Acesso à Informação e da participação nos conselhos municipais, onde se decide como se aplicam os recursos públicos. Se for do poder legislativo, por meio das pautas de votação, previamente divulgadas, para, com base no interesse coletivo, dizer ao eleito como deve votar. Do acompanhamento das sessões in loco ou on-line (na presidência da Câmara de Tubarão, instalei equipamentos para transmitir, em tempo real, via Internet, as sessões do poder legislativo municipal).
Não votar, votar mal e/ou não acompanhar os eleitos – ações que custam caro ao eleitor e anulam sua queixa sobre o que fazem com o seu dinheiro. Votar bem e acompanhar os eleitos constituem atitudes gratuitas que garantem o retorno dos impostos.

